Bayard Demaria Boiteux (1916 - 2004)

NA ESCOLA, TAL COMO NO MUNDO, TODOS SOMOS PROFESSORES E TODOS SOMOS ALUNOS.
(Faculdade Economia Porto)
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domingo, abril 29, 2007

Casas com Estórias - 1B

Montalegre
Montalegre é boa terra,
Dá de comer a quem passa,
Mas quem não leva dinheiro, Nem água lhe dão de graça.
Onde uma nova vida começou:
Pensava mudar o Mundo, tinha a alma cheia de conhecimentos científicos para debitar sobre as pobres criancinhas de uma zona tão pouco desenvolvida, mas as ilusões foram desfeitas, os conhecimentos das sebentas não são o Conhecimento; este adquire-se com a experiência e com a sensibilidade da interiorização das diferentes culturas: nessa altura, ainda não estava preparado para a iniciação desse novo rumo.
Em Barroso, não é o Futebol que arrasta multidões e inflama as almas, mas as Chegas: e quando o que perde, há sarrabulho da grossa, os da aldeia fazem justiça sobre os outros (Tradição Celta).
Cuidado no beber água da fonte da Mijareta, pode ser agradável e fresca, mas pode ter consequências maléficas e funestas futuras, para os forasteiros mais distraídos...
E em Rebordelo, depois de andar cerca de 5 Km pela serra (ainda não havia estrada), por vezes de noite cerrada com frio, chuva ou neve, sentava-me neste escano (a Tia (avó) Céu já estava com o comer preparado), junto do lume que aquecia o caldeiro suspenso pela burra e merendava centeio com algum do fumeiro que estava suspenso e depois adormecia até ao chegar da ceia (cerca das 21/22 horas - Mata Bicho: 5h30m; Pequeno Almoço: 6h; Almoço: 9h; Jantar: 12h; Merenda: entardecer; Ceia: 21/22h). Por cima viviam os humanos e por debaixo eram as coortes do gado que, no inverno, serviam de aquecimento central, mas no verão era um perfume um pouco pestilento. Foram tempos de memoráveis.

quinta-feira, abril 26, 2007

Casas com Estórias - 4

Cidade do(s) Conhecimento(s) e do Penedo ...
Coimbra - Solum - Antes da poluição visual

Coimbra - Solum - depois do Caos Urbanístico

Anos 80, enquanto me deliciava com as peripécias universitárias no ISEG, em Lisboa, La Famiglia, com a trouxa às costas rumava da cidade do Lis para a cidade do Mondego. Para uma zona periférica e que agora é considerada a zona mais in.
Do sossego inicial, passou-se para o caos de novo riquismo, com ocupação desmesurada do espaço público, principalmente por parte da Amorim Imobiliária; perdeu-se uma certa qualidade de vida...
Foi aqui, que este avecido e ao mesmo tempo alambre e açodado (as fotos foram tiradas do imóvel conhecido pelo: comboio - Batem levemente ..., será chuva, será vento ...; 4.ª foto e imóvel ao fundo) encontrou a realidade da vida:
  1. Vissitudes do desemprego: fui estudando e fazer um pequeno trabalho de investigação pessoal na CCRC e a CEE ofereceu-me um voyagemau Royaume de la Belgique.
  2. Arranjar emprego, nem no centro de emprego, nem nos serviços do Ministério da Agricultura: descobri o sentido da expressão- meter uma cunha.
  3. Se quisesse, pedia a mon père para me meter nos respectivos serviços, já que ele era eng. (nos anos 40 ainda não havia Universidades tipo Independente) chefe de departamento de correção torrencial no MAP. Mas, como devo ser muito abascado, comecei a assobiar para o lado e decidi (ná me lembro, mas devo ter ido consultar alguma bruxa que me disse que um dia haveria de encontrar uma chefe, muito sensual chamada Lurdes e parece que acertou, embora não me elucidasse completamente, ou seja, que seria uma Ministra) embarcar numa de educação. Preenchi o boletim e escolhi 49 Escolas Secundárias dos distritos de Coimbra, Covilhã, Leiria e Viseu; a 50.ª escola era a de Montalegre. Dito e feito, foi mesmo aí que fui cair de pára-quedas achaquiado (outras estórias, outras postagens). Depois, andei por aqui e por acoli, até que estacionei neste fim do mundo: Bracara Augusta.
Agora, as minhas visitas são mais espaçadas (visitas à casa materna..., como o Nata, Páscoa, etc); antigamente, apesar de residir a cerca de 200 km de distância, ainda continuava a consultar, um verdadeiro Médico de Família: Dr. Pascoal Montezuma de Carvalho.
Se fosse o Malato, teria dito, em Coimbra já fui...; outros trovas do vento que passa.

quarta-feira, abril 11, 2007

Casas com Estórias - 3

Balada do Encantamento (!)
Descendo da serra, estacionei algures por aqui. Bem, primeiro, no andar superior do prédio onde se encontravam as instalações da Delegação de Saúde (ainda não havia Cine-Teatro) e só depois ...
A rua Machado dos Santos (lado esquerdo) constituía a nacional 1, 24 horas por dia de trânsito intenso; por sua vez, a rua José Jardim (lado direito) era um silêncio e onde por vezes havia peladinhas de bola, era o lá vem um ...
Num lado da casa, era o inferno, no outro, o paraíso.
Em Leiria, o ingénuo pensou que estudar, no Liceu, o tornava mais inteligente (5 anos + 2 raposas); puro engano, com o canudo na mão verificou-se que ele se tinha tornado num nabo erudito.
Talvez, por isso, sentisse um desejo ardente em conhecer os mafiosos meandros, do outro lado, o dos mandões e acabasse por cair no pecado da gula pelo poder: ser um inconsequente professor.
Para além desse trauma, esse miornos da pânria, parece nutrir alguma simpatia pela OÁSIS, onde, todos os dias, se luta pela dignificação da vida de cada um. Ir a Leiria, todos os anos, é ficar pelos Pousos para pagar pessoalmente as quotas na OÁSIS (cerca de 250 km de viagem).

terça-feira, março 20, 2007

Casas com Estórias - 2

Covilhã
Estilo Chalêt Suíço (como a do Conde), foi construída no início dos anos 50 do século XX. é a maison, onde este chato viu, pela primeira vez, um mundo virado do avesso e onde durante 10 anos, demonstrou que o terrorismo não era algo futurista, como caçar lacraus e colocá-los dentro do fogão a lenha (estilo forno crematório), como tentar dissecar a processionária e ficar com a cara assarampada, como estudar os impactes das bombas de carnaval e ficar com sequelas de uma qualquer guerra, como, num impulso anarquista, ser cúmplice activo, com dolo danoso, na destruição dos alicerces capitalistas subjacentes à construção das primeiras casas do bairro da biquinha.
Esta casa de sonho, já não existe. Agora, temos um aborto estrutural tipo encefalopatia espongiforme nitrofurana, um disparate social.

quarta-feira, março 07, 2007

Casas com Estórias - 1

REBORDELO - Planalto do Barroso
Casa do Capitão de Rebordelo - Construída em 1845, pelo filho/morgado do dito cujo.

1938 - Na divisão, cimo das escadas, do lado direito, esteve escondido, durante 50 dias um Republicano Galego, de Rubiás (Couto Misto). Em 1936/7, Ele e outro familiar refugiados foram presos pela GNR/PIDE, conjuntamente com o Morgado da Casa e levados para Chaves.

1936/1939 - Outro Republicano Galego, de Tosende, que tinha estado emigrado no Brasil e com sotaque brasileiro, escapou às investidas da GNR/PIDE.

1996 - Na primeira divisão, cimo das escadas, do lado esquerdo, Zulmira (Ana Padrão) recebia as visitas (cozinha do fumeiro), no filme Cinco Dias Cinco Noites.

O realizador Fonseca e Costa combinou com todos os habitantes de Rebordelo, visionar-lhes o filme, quando pronto, se a população colaborasse em termos de não perturbar (ruídos, etc.) as filmagens. Até hoje ...; mesmo no genérico do filme, nem aparece o nome de Rebordelo, como local de filmagens, ao contrário do que aconteceu em relação a outras localidades.