Bayard Demaria Boiteux (1916 - 2004)

NA ESCOLA, TAL COMO NO MUNDO, TODOS SOMOS PROFESSORES E TODOS SOMOS ALUNOS.
(Faculdade Economia Porto)
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segunda-feira, julho 01, 2013

Professores, proletários, missionários...

No jornal de Público, do dia 21 de Junho, todos devíamos ler um artigo de Roland Barthes faz um discurso irónico sobre uma visão de sociedade, com 42 anos de história e que ainda se mantém actual:

Numa total perda de autonomia, até ao ponto em que a actividade do professor deixou de ser uma actividade intelectual 
A partir desse momento, a autoridade do professor ficou arruinada...
Os professores têm sido submetidos, sem tréguas e desde há muitos anos, ao tratamento mais ignóbil a que uma classe profissional pode estar sujeita...
Em 1971, Roland Barthes escreveu, para a revista Tel Quel, um texto a que deu o título: Escritores, Intelectuais, Professores. Por si só, tal título mostra como os professores foram entretanto deslocados e já não pertencem a esse mundo de outrora. Eles surgiam então ao lado de outras duas respeitáveis classes (que, aliás, também já não têm o mesmo estatuto), enquanto detentores de uma autoridade adquirida automaticamente pela “parole professorale”. Essa modalidade de discurso, herdeira da Retórica e dotada de uma autoridade moral conferida pelo saber, não podia sobreviver às novas condições que retiraram o saber da esfera exclusiva do cânone escolar e em que o professor, obrigado a responder a novos objectivos da escola que já nada têm que ver com a sua missão original (objectivos cada vez mais políticos: retardar a entrada dos jovens na vida activa, corrigir as desigualdades sociais, substituir a educação parental, policiar os costumes, etc.), teve que começar a enfrentar tarefas policiais, psico-sociais e de animação. A fortuna de um actual ministro que chegou ao seu posto à custa da denúncia do “eduquês” deve-se ao facto de, com esse chavão, ele apontar para um desvio da escola em relação a essa missão original que, presume-se, ele achava que podia e devia ser restaurada. Entretanto, em sentido contrário a uma tal missão, os professores têm sido submetidos – sem tréguas e desde há muitos anos – ao tratamento mais ignóbil a que uma classe profissional pode estar sujeita. Se quisermos utilizar um termo genérico para designar o que lhes foi infligido (para além das “sevícias” – da parte dos alunos, da parte dos pais – a que ficaram expostos a partir do momento em que lhes foi retirado todo o domínio) temos de falar de uma progressiva, sistemática e programada proletarização. Em que é que ela consiste? Numa total perda de autonomia, até ao ponto em que a actividade do professor deixou de ser uma actividade intelectual. A partir desse momento, a autoridade do professor – que, aliás, para existir é necessário que esteja integrada num sistema que a detenha – ficou completamente arruinada. O sinal mais óbvio dessa proletarização – aquele onde ela é exibida pela máquina governamental com uma clara intenção de humilhação – é o horário de trabalho. Dantes, o trabalho do professor compreendia o tempo controlado (o tempo lectivo) e o tempo autónomo, que ninguém conseguia avaliar exactamente a quanto correspondia – dependia do treino, dos escrúpulos, da responsabilidade e do sentido de missão do próprio professor. Daí, a ideia tão repetida de que os professores gozam (gozavam) de um horário privilegiado. Agora, não só o tempo de trabalho controlado aumentou bastante, como aquilo que deveria ser tido por conta de trabalho autónomo perdeu esse estatuto porque o Ministério o passou a contabilizar no horário oficial: trinta e cinco horas de trabalho na escola, mais cinco horas de trabalho em casa. Quem alguma vez foi professor sabe bem que essas cinco horas semanais estão longe de ser suficientes. Mas pior do que fazer horas extraordinárias que não são pagas é sentir que até o pouco que resta aos professores de tempo autónomo entra na contagem diabólica do tempo controlado...

António Guerreiro 

domingo, junho 16, 2013

Estudo no 12º ano, tenho 18 anos. Sou uma entre os 75 mil que têm o seu futuro a ser discutido na praça pública

.
Dizem que sou refém! Dizem que me estão a prejudicar a vida! Todos falam do meu futuro, preocupam-se com ele, dizem que interessa, que mo estão a prejudicar…

Ando há 12 anos na escola, na escola pública.
Durante estes 12 anos aprendi. Aprendi a ler e a escrever, aprendi as banalidades e necessidades que alguém que não conheci considerou que me seriam úteis no futuro. Já naquela altura se preocupavam com o meu futuro. Essas directivas eram-me passadas por pessoas, pessoas que escolheram como profissão o ensino, que gostavam do que faziam.
As pessoas que me ensinaram isso foram também aquelas que me ensinaram a importância do que está para além desses domínios e me alertaram para a outra dimensão que uma escola “a sério” deve ter: a dimensão cívica.

Eu não fui ensinada por mágicos ou feiticeiros, fui ensinada por professores! Esses professores ensinaram-me a mim e a milhares de outros alunos a sermos também nós pessoas, seres pensantes e activos, não apenas bonecos recitadores!

Talvez resida ai a minha incapacidade para perceber aqueles que se dizem tão preocupados com o meu futuro. Talvez resida no facto de não perceber como é que alguém pode pôr em causa a legitimidade da resistência de outrem à destruição do futuro e presente de um país inteiro!
Onde mora a preocupação com o futuro dos meus filhos? Dos meus netos? Quem a tem?
Onde morava essa preocupação quando cortaram os horários lectivos para metade e mantiveram os programas?
Onde morava essa preocupação quando criaram os mega-agrupamentos?
Onde morava essa preocupação quando cortaram a acção social ou o passe escolar?
Onde mora essa preocupação quando parte dos alunos que vão a exame não podem sequer pensar em usá-lo para prosseguir estudos pois não têm posses para isso?
Não somos reféns nessa altura?               
E  a preocupação com o futuro dos meus professores? Onde morava essa preocupação quando milhares de professores foram conduzidos ao desemprego e o número de alunos por turma foi aumentado?

Todas as atrocidades que têm sido cometidas contra nós, alunos, e contra a qualidade do ensino que nos é leccionado não pode ser esquecida nunca mas especialmente em momentos como este!

Os professores não fazem greve apenas por eles, fazem greve também por nós, alunos, e por uma escola pública que hoje pouco mais conserva do que o nome. Fazem greve pela garantia de um futuro!

De facto, Crato tem razão quando diz que somos reféns, engana-se é na escolha do sequestrador!

E em relação aos reféns: não são só os alunos; são os alunos, os professores, os encarregados de educação, os pais, os avós, os desempregados, os precários, os emigrantes forçados... Os reféns são todos aqueles que, em Portugal, hipotecam presentes e futuros para satisfazer a "porra" de uma entidade que parece não saber que nós não somos números mas sim pessoas!
Se há momentos para ser solidária, este é um deles! Estou convosco

Inês Gonçalves

terça-feira, junho 04, 2013

Professores Grevistas...?

Com o acumular de tensões sobre as incertezas da segurança futura do trabalho, muitas foram as vozes que na ESAS foram berrando, criticando os sindicatos por inação, ao longo dos meses do 2º período.
Quando as associações sindicais resolveram actuar, os melindres reduziram-se a um silêncio profundo de aparente  cumplicidade com as Tutelas (muitos, envergonhadamente, votaram na coligação governamental).
Na verdade, outros que nunca fizeram greve decidiram entrar na luta e o MEC só tem a opção de enviar todos os alunos, potencialmente aprovados e reprovados, a exame e a INCM irá ter horas extras e o desperdício de papel será causa, possivel de argunento viável para justificar a agravar do deficit, mais o tenebroso TC.
Em vez dos habituais 20/25 grevistas, a ESAS apresentará um bom lote de aderentes e as surpresas darão brado..
Esperamos que a CAP elabore o calendário das reuniões de forma que os professores tenham, em primeiro lugar de lecionar aulas (turno da manhã) e depois poderem entrar em processo de greve nas reuniões (turnos da tarde e da noite).

terça-feira, maio 14, 2013

Comunicado à comunidade educativa da ESAS

Comunicado à comunidade educativa da ESAS

1.    O Conselho Geral (CG) da Escola Secundária de Alberto Sampaio, reunido no dia 3 de maio de 2013, pelas 21.00 horas, aprovou o pedido de renúncia ao mandato, apresentado pela maioria dos seus membros, ao abrigo do disposto no artigo 12º, pontos 4,5 e 6 do seu Regimento.

2.    A fundamentação dos pedidos de renúncia, necessariamente individual, alicerçou-se na maioria dos casos na coerência com posições anteriormente assumidas por este conselho, no descontentamento com a ausência de resposta ao pedido de contrato de autonomia por parte da tutela e no esvaziamento de funções deliberativas do CG, resultante do processo de agregação. A estas razões, o Presidente do CG acrescentou a absoluta desconsideração institucional, com que este CG foi tratado pela tutela, nomeadamente no que se refere à nomeação e constituição da Comissão Administrativa Provisória (CAP), uma vez que até este momento ainda não foi informado de tal decisão.

3.     A aprovação dos pedidos de renúncia aos mandatos supra referidos determina a impossibilidade deste órgão se manter em funções por falta de quórum.

Braga, 13 de maio de 2013
O Presidente do Conselho Geral da ESAS (cessante)
Arnaldino Manuel Campelo Ferreira

terça-feira, maio 07, 2013

Providência Cautelar contra Agregação da ESAS aceite...

O Tribunal Administrativo de Braga aceitou, em 2 de Maio, a acção administrativa especial de pretensão coinexa com actos administrativos requerida ao abrigo do exercício da acção popular, promovida pela Associação de Pais da Escola Secundária Alberto Sampaio, contra o arguido Ministério de Educação e Ciência..., por causa da agregação da ESAS com o A. E. Nogueira.
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Espera-se por idêntica decisão, relativamente a semelhante demanda juidicial, com origem nas Juntas de Freguesia que são clientes da AE Nogueira.

segunda-feira, maio 06, 2013

Conselhos Gerais em Processo de Demissão...

Em algumas das escolas que foram extintas por via de agregações, os membros eleitos e os suplentes, decidiram, por maioria, e de uma forma individual, renunciar, enquanto conselheiros representantes dos seus pares, ao cargo que ocupavam nos Conselhos Gerais sede de agrupamento.

MEC ganhou o processo das agregações, mas, apesar de ameaças veladas, ainda não conseguiu demover as decisões tomadas, pelos membros destes C. G.

O MEC não consegue descalçar as botas, quiçá por causa das pedras que entraram no sapato e gripam a aparente submissão das respetivas comunidades escolares.

sexta-feira, maio 03, 2013

António Nóvoa exorta professores a dizer "não"

Durante o congresso da FENPROF:
António de Sampaio da Nóvoa, Reitor da Universidade de Lisboa afirmou:
Não à degradação da escola pública. 
Não à mobilidade dos professores. 
Não a um país sem futuro.
... 
Mas os professores andam sem chama, desmotivados, desinteressados e algo submissos ao arbítrio da tutela, só acordando para a triste realidade, quando é demasiado tarde.
Nas manifestações, onde estão os professores, porque quase só vemos dirigentes sindicais...

sábado, abril 27, 2013

Providência Cautelar contra MEC...1



Deu entrada no Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga um processo promovido pela Associação de Pais e Encarregados de Educação dos alunos da Escola do 2º e 3º ciclo de Nogueira  em conjunto com as juntas de freguesia de Arcos, de Trandeiras, de Esporões, de Morreira, de Nogueira e de S. Pedro de Lomar, contra o processo de agregação do Agrupamento de Escolas de Nogueira com a Escola Secundária Alberto Sampaio.

No exercício de Ação Popular,  propõem contra o Ministério da Educação e Ciência uma ACÇÃO ADMINISTRATIVA ESPECIAL para declaração de invalidade de actos administrativos...

 

domingo, abril 21, 2013

Alunos em Luta contra Nuno Crato...

Pais e alunos da Alberto Sampaio vão lutar em tribunal pela autonomia 

 

 

Alunos, pais, professores e funcionários da Escola Secundária Alberto Sampaio (ESAS) prestaram, sexta-feira de manhã, uma homenagem pública à equipa diretiva cessante da escola, liderada por Manuela Gomes, exortando o trabalho abnegado e a grande dedicação da equipa ao futuro da escola pública.

 Numa cerimónia simples e comovente, a comunidade académica revelou, mais uma vez, a sua clara opsição à constituição dos mega-agrupamentos, e ficou claro que a luta pelo contrato de autonomia terá continuidade em tribunal. 

 APESAS

Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.

Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.

Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado." (Rubem Alves)

Ao longo dos tempos, a ESAS ganhou asas. Nela, os nossos filhos e filhas aprenderam a voar e o mérito desse percurso é, em grande parte da sua equipa diretiva, dos seus fantásticos professores e do empenho dos funcionários desta escola.

Nós, Associação de Pais da Escola Secundária de Alberto Sampaio, jamais permitiremos que engaiolem os nossos filhos e os formatem para uma sociedade enlouquecida e egoísta. Queremos que vós, estudantes da ESAS, sejais felizes e assumimos aqui, publicamente, perante toda a comunidade da ESAS, o nosso compromisso com a vossa felicidade.

Por vós tudo faremos, pois...

"Nunca se perde tempo com aquilo que amamos."
 
A Direção da APESAS

 

sábado, março 16, 2013

As «inutilidades» eleitas pelo discurso contemporâneo dominante: Ignorância ou estratégia?


 No Correio do Minho, uma opinião esclarecida sobre os fãs fundamentalistas da Troika:

 Não é a primeira vez que refletimos sobre a centralidade que a análise quantitativa e de tempo breve adquiriu nestas circunstâncias neopositivistas que o século XXI recuperou. Temos, nomeadamente, salientado a pertinência dos números nas tentativas de explicação da realidade que nos rodeia. Reconhecemos a sua eficácia no tratamento de alguns dados, fazendo realçar evidências que, de outra forma, permaneceriam escondidas.

Contudo, há sempre aquela tentação de acreditarmos piamente que um ou outro instrumento poderão ser suficientes para explicarmos o mundo em que vivemos. Sobretudo se predominar aquele espírito, alimentado pela ignorância, de que estes instrumentos são algo mais do que a própria mente humana possa elaborar, tornando-se independentes do seus criadores, logo resistentes ao tempo e às limitações dos seus autores. Na realidade, esta ideia peregrina, que eu francamente pensava que o século XX tinha condenado ao uso exclusivo da «mesa de café» (perdoem-me os doutos pensadores que sobre essas mesmas mesas garantiram à humanidade grandes conquistas), encontra-se agora recuperada e renovada.

Assim, parece que estamos condenados ao domínio das infindáveis análises estatísticas, crentes de que os números conhecem as pessoas, crentes de que as previsões, só por utilizarem linguagem matemática, trabalham com dados de futuro, crentes de que há ciências do «passado» e ciências do «futuro», ciências «melhores» e ciências «piores», saberes «relevantes» ou saberes «inúteis».

Aliás, essa coisa do passado e do futuro sempre meconfundiu. Sempre estranhei aquela ideia de que a História estaria confinada ao passado e que, por exemplo, todas as outras ciências, por óbvia contraposição, fossem ciências do presente ou do futuro. Mas hoje, o que nos anima não se centra nestas «minudências», centra-se no discurso das «inutilidades» que ousa emergir em diferentes cenários e contextos.
Mas de que «inutilidades» estamos a falar? Dos historiadores ou professores de História, irrelevantes para a economia nacional, tal como Camilo Lourenço explicou? Dos filósofos que teimam em pôr toda a gente a interrogar-se e a pensar? Das artes que constroem um outro olhar sobre o mundo que nos rodeia? Da sábia Literatura que tantas gerações ilumina ou iluminou? Da cultura que sustenta o nosso sentido de existir? E a Educação, essa será verdadeiramente inútil?
De quantos saberes estamos dispostos a abdicar para que as contas se acertem?
De quanto futuro, verdadeiramente, estamos dispostos a prescindir para que a realidade se submeta aos números que alguns insistem em validar?

Quantas certezas hoje proclamadas vão depois engrossar as fileiras da inutilidade?
Será ignorância? Será estratégia?

Caro Camilo, nós, os «inúteis» professores de História, ao lado de tantos outros «inúteis», não estamos dispostos a ficar no silêncio para que as contas se acertem e, com a mais profunda das humildades, não prescindimos dos saberes de que somos portadores, das dúvidas e perguntas que, ainda com muita esperança, acreditamos que a Escola nos possa ajudar a construir

Manuela Gomes 
(Directora da Escola Secundária de Alberto Sampaio)

sexta-feira, março 01, 2013

APESAS adere à Manifestação "Que se Lixe a Troika"

A APESAS - A Comissão de Gestão da Associação de Pais da Escola Secundária de Alberto Sampaio decidiu apelar à participação da comunidade educativa na Manifestação “Que se lixe a troika”, que se realiza no próximo sábado, a partir das 15 horas, em Braga, na Avenida Central.
...

sábado, janeiro 26, 2013

Comunicado da Direção da ESAS


Ocorrências do dia 18 de janeiro de 2013
Comunicado da Direção:

Na sequência das diferentes notícias e mensagens publicadas após as ocorrências do dia 18 de janeiro
de 2013 nesta escola e no intuito de garantir o melhor esclarecimento de todos os interessados e de
todas as pessoas que interpelaram esta instituição sobre este assunto, considerámos ser fundamental
clarificar o seguinte:
1. Às 08h11 do dia 18 de janeiro, a diretora da ESAS, recebeu o telefonema de um dos seus colegas,
assessor da direção, informando-a de que os alunos tinham colocado um cadeado no portão da
entrada da escola e que se estavam a manifestar, pacificamente, contra a decisão de agregação
da escola;
2. A diretora informou o assessor que, atendendo ao caráter pacífico da manifestação, em poucos
minutos estaria na escola e que deveriam aguardar pelas suas orientações no sentido de se
regularizar a entrada de alunos e profissionais no edifício;
3. Nenhum membro da direção da escola estabeleceu qualquer contacto ou solicitou a intervenção
das forças de segurança;
4. Quando a diretora chegou à escola, por volta das 08h30, já as forças de segurança se
encontravam no recinto;
5. A diretora verificou, no imediato, que havia alunos do 7º ano de escolaridade a atravessar, a
correr e de uma forma desregrada, a rua que serve a entrada da escola;
6. A diretora da escola procurou as forças de segurança já presentes no recinto solicitando:
  • a supervisão imediata da rua no sentido de se evitar qualquer tipo de acidente, o que, para a diretora, parecia ser a questão de maior emergência no momento;
  •  o acompanhamento da diretora no sentido de se proceder à abertura, pacífica, do edifício da escola, depois de esta conversar com os alunos, como acontece em todas as circunstâncias deste tipo.

7. As ações desencadeadas pelas forças de segurança durante todo este período e até à entrada da
diretora no edifício da escola,  constam de um relatório pormenorizado que será remetido  ao
Ministério da Educação e Ciência (MEC), com conhecimento ao Comandante da Polícia de
Segurança Pública de Braga. Caberá ao MEC a divulgação, ou não, das matérias que integram o
referido relatório. Assim, esta direção não emitirá, neste comunicado, qualquer parecer sobre
este assunto.
8. A direção da escola considera, porém, ser da mais elementar justiça, registar os longos anos de
colaboração com a PSP de Braga, nomeadamente no âmbito do Programa «Escola Segura»,
colaboração essa especialmente profícua na garantia da segurança dos alunos e profissionais da
ESAS,  e no quadro de uma  ação que se tem  pautado por uma articulação sistemática de
procedimentos, no escrupuloso respeito pelas competências e responsabilidades específicas das
diferentes organizações envolvidas;
9. Após a entrada da diretora no edifício, procedeu-se à abertura das instalações garantindo-se as
condições necessárias ao funcionamento regular das atividades letivas.
10. A diretora contactou, no imediato, o gabinete de segurança do MEC,  delegação do Norte, de
forma articular todos os procedimentos subsequentes, nomeadamente no que respeita à ação
das forças policiais,  tendo recebido toda a atenção e apoio desta estrutura. Em simultâneo,solicitou a intervenção do INEM,  de forma a garantir a assistência  imediata dos alunos que
necessitassem desse apoio.
11. A direção da escola não subscreve  o ato praticado pelos alunos e que impediu, no início da
manhã, o funcionamento regular das atividades letivas. Contudo, os alunos que se estavam a
manifestar mantiveram sempre um comportamento cordial e de respeito relativamente à
diretora da escola e à sua ação, como aliás, até à data, é habitual em circunstâncias similares e
que já ocorreram noutros momentos e relativamente a diversos assuntos;
12. A direção da ESAS solidariza-se, no entanto, com o sentimento de indignação manifestado pelos
alunos face ao conteúdo e forma do comunicado emitido pelo MEC relativamente ao processo
de agregação desta escola.
13. Não podemos  deixar de agradecer, em nome da ESAS, a todos quantos nos têm dirigido
mensagens de preocupação e de solidariedade e a todos quantos tiveram a coragem de dar voz
aos mais legítimos anseios e solicitações desta comunidade educativa.
14. Aos alunos da ESAS que fizeram questão de endereçar mensagens a esta direção, só podemos
afirmar que não temos palavras que possam definir a emoção que essas palavras nos causaram.
Apenas podemos reafirmar aquilo que tantas vezes sentimos: os nossos alunos são a razão  de
ser de uma escola assim, são o orgulho que nos aquece e anima todos os dias, são a certeza que
estão futuros com sentido por construir. Para nós é também uma honra e um privilégio liderar
esta organização, ao lado de profissionais de excelência, de dedicação e empenho difíceis de
qualificar.
15. Enquanto escola que somos, garantiremos que os acontecimentos ocorridos no dia 18 de janeiro
de 2013 servirão de mote para uma reflexão profunda e uma aprendizagem substantiva neste
espaço onde queremos que a Educação aconteça todos os dias,  onde queremos que a
democracia se aprenda todos os dias.
16. A direção da ESAS, enquanto se mantiver em funções, continuará a dar voz às decisões
aprovadas democraticamente pelos órgãos desta escola, garantido que se cumpre aquele
princípio  que quotidianamente dá sentido ao esforço que há anos, há muitos anos, fez deste
lugar a escola que somos: «nunca se perde tempo com aquilo que amamos» (Alberto Sampaio).

Aos 21 dias de janeiro de 2012

A Direção da ESAS

sexta-feira, janeiro 25, 2013

Testemunhos educacionais...

 Associação de Sobreposta
A Associação Social e Cultural de Sobreposta, enquanto parceira da Escola Secundária Alberto Sampaio em diversos projetos, manifesta publicamente o seu mais vivo repúdio e preocupação pelos acontecimentos hoje vividos à porta da Escola, e de que resultaram vários alunos e funcionários a necessitar de tratamento hospitalar fruto da intervenção policial que ocorreu e outros claramente traumatizados com uma situação que roça o inacreditável.

 Com efeito, muito mais do que nossa posição contra a constituição dos mega-agrupamentos na cidade de Braga, que deixamos claramente expressa nas reuniões do Conselho Geral do Agrupamento de Escolas de Gualtar de que fazemos parte, por contrariarem uma política educativa baseada na pedagogia e na proximidade com os alunos, está em causa o facto de hoje de manhã termos assistido a crianças a partir dos 12 anos a serem alvo de uma carga policial com gás-pimenta à porta da sua escola, que diariamente as acolhe e onde costuma reinar a tranquilidade e a sã convivência, quando exerciam o seu direito à manifestação pública de algo tão precioso quanto o gostarem da escola que frequentam e do seu projeto educativo, bem como dos professores e professoras que o dirigem. Este é um capital de esperança que nada pode, ou deve, desbaratar.

 Neste momento de profunda consternação em que, certamente, a Escola Secundária Alberto Sampaio está mergulhada, deixamos o nosso abraço solidário a professores, funcionários e alunos, na certeza de que tudo farão para que a Escola continue a manter a sua identidade, tão fortemente arreigada no coração da cidade.

 Pel'A Direção

 Fernando Marques Mendes

 Nair Rios (Aluna)
"Muitos daqueles adolescentes sofrem com a fome, deram-lhes pancada! Queriam exprimir-se, mas foram reprimidos! Na frágil idade: pela força bruta! Sonharam liberdade: impuseram-lhes o medo! Mesmo por uns instantes, o fascismo voltou, semeou a revolta, o pânico, o temor, a dor e a tristeza, por aquela juventude que um dia sonhou e acreditou que vivia numa País livre e democrático, onde poderia exercer um dos seus mais sagrados direitos de cidadania: o direito de manifestação! E fê-lo de forma exemplarmente ordeira, até que uma repressiva carga policial sobre eles se abateu, deixando alguns traumatizados para o resto das suas vidas, fazendo lembrar os tempos de Pinochet! Castiguem-se os carrascos!"
 Está toda a gente pela ESAS.


Manuela Mendes

Sr. Ministro da Educação,
 Foram várias as escolas que visitou e foi visível na comunicação social como se tentou informar sobre os seus modelos educativos e a causa do seu sucesso.
 Faço-lhe este convite: venha à nossa escola para perceber como é possível gerir, ensinar e educar.

 Venha perceber como, entre tantas outras coisas, é possível subir nos rankings nacionais que tanto gosta, como é possível ter uma gestão eficaz de recursos, como é possível sermos tão disciplinados, como é possível sermos tão unidos: alunos, pais, professores e funcionários.
 POR FAVOR, venha perceber o porquê do interesse dos ex-alunos pela escola que os formou. "Uma vez ESAS, para sempre ESAS!", dizem.

 Não acredito que os incidentes de 6.ª feira o tenham deixado sereno.
 Venha, sr. Ministro. Venha aprender a ser Livre e a Amar...

quarta-feira, janeiro 23, 2013

Vigília...



Na sequência da assembleia geral de profissionais da ESAS e da reunião dos alunos, ouviu-se falar de uma vigília a realizar na próxima sexta-feira. 
Não sei quem disse, não sei quem foi, se calhar fui eu. Já não me lembro, mas venho por este meio dizer que concordo. 
Atrever-me-ia, ainda, a propor que dedicássemos mais ou menos 3 blocos a esta Instalação em favor da escola pública e pela autonomia da ESAS.  

Entre as 18:30 e as 23:30, mais ou menos. Talvez venha a ser necessário, mais tarde, apelar à cidade e ao Município de Braga para que apoie a nossa causa
Um pouco mais tarde, quando o tempo amainar, podemos pensar em organizar convenientemente uma vigília no centro da cidade de Braga. 
De momento, deveríamos falar entre nós e comunicar as nossas razões e os nossos sentimentos a todos os que possam e queiram ouvir-nos. 

Nós, alunos, pais, professores, assistentes, funcionários, amigos, ex-alunos e ex-trabalhadores, temos muito que falar e algumas coisas para dizer. 


Saudações ESAS para todos

José Miguel Braga






terça-feira, janeiro 22, 2013

Gás pimenta na Pátria que nos pariu

O que diríamos de um pai que lançasse gás pimenta sobre os olhos do seu filho? O que diríamos de um professor que fizesse tal coisa a um aluno? O que devemos dizer sobre um polícia que o usa, levando a que crianças e jovens, entre os 12 e os 15 anos, a receber assistência hospitalar? Foi isso que a polícia fez na última sexta-feira, em Braga, para abrir um portão de uma escola perante uma manifestação que não representava qualquer risco para a segurança dos cidadãos.
Como pode o Estado português garantir o cumprimento da lei nacional e das convenções internacionais por ele assinadas, que proíbem qualquer forma de violência sobre crianças, se são as suas forças de segurança a usar, ao mínimo pretexto, violência contra crianças? Sim, violência. Devo recordar que a Amnistia Internacional considerou, quando foi usado, na Califórnia, este tipo de arma contra manifestantes adultos, que se tratava de um ato "cruel, inumano e degradante". Porque o gás pimenta causa um ardor extremamente doloroso, irritação nos olhos, náusea, choque e vómito quando usado contra a cara de alguém. Pode ter efeitos dramáticos em pessoas com asma ou outros problemas respiratórios.
Antes de mais, seria interessante perceber se a polícia usou de outros meios para abrir os portões da escola. Começando por se estranhar que a direção da escola se tenha insurgido contra esta atuação policial quando apenas dela poderia vir a exigência de abertura de instalações que estão à sua guarda. Ou seja, a polícia atuou por por decisão própria, sem que ninguém, a começar pelos afectados, lhe tenha pedido que assim atuasse. Justificou o seu comportamento extremo como forma de evitar outras formas "mais musculadas" de repressão (imagino que quando desatarem à bastonada a miúdos dirão que antes isso do que lhes dar tiros). O uso de gás pimenta contra menores (incluindo miúdos de 12 anos) para abrir os portões de uma escola, sem que antes se tenha deixado que seja a própria direção da escola a resolver o problema, só pode ser considerado, por pessoas com o mínimo de bom senso, como um uso desproporciodo de violência. Coisa que, para quem não o saiba, está interdita à polícia. As forças policiais não têm legitimidade para usar da violência em qualquer circunstância.
O grande argumento que por aí se vê em defesa desta indefensável atuação policial é o de que aquelas crianças e adolescentes tinham desrespeitado uma ordem policial. Para quem esteja pouco familiarizado com o Estado de Direito, as forças policiais devem usar da violência para garantir um bem maior do que o dano que causam. Em Portugal, o uso da violência não serve para punir
Porque quem determina punições perante a violação da leis são os juízes, não são os polícias, sem autoridade nem formação para interpretar e aplicar a justiça. E nessas punições não está incluída a violência física. 
A polícia garante a segurança pública. E em nenhum relato do que ali sucedeu se percebe onde estava, antes da ação policial, em risco a segurança pública.
A evidente desproporcionalidade desta ação policial e a sua desumanidade perante a idade das vítimas - entre 12 e 15 anos, recordo de novo - não impediu que imensas reações em blogues e sites fosse de aplauso ao que só poderia, num país civilizado, merecer repúdio geral. Mais: a reação automática é a de que quem se manifesta é, à partida, um prevaricador. 
O que não pode deixar de fazer pensar que, ao fim de 40 anos, há quem ainda não se tenha habituado à democracia
E que, como aliás se vê perante todos os sinais do crescente autoritarismo deste governo, há quem veja com naturalidade o uso da violência do Estado contra os cidadãos. E que este deve começar bem cedo, para que todos se habituem à bovina obediência que se tenta instalar no País.
Nos telejornais de sexta-feira, esta notícia, que deveria ter merecido uma indignação geral, foi brevemente referida. Em dois dos três casos sem nunca se referir as idades das vítimas desta brutalidade.
Da fraca de reação geral a um caso que deveria levar à uma ação criminal contra o responsável policial que deu ordem para assim se atuar e, provavelmente, à demissão do ministro da Administração Interna; e do pouco destaque que este caso mereceu na comunicação social, só posso concluir uma coisa: quem viveu quase meio século em ditadura habitua-se rapidamente a qualquer sevícia, desde que esta venha do Estado. E já nem os seus próprios filhos sabe proteger.
 Esta foi, lamentavelmente para a geração em que ainda podemos ter alguma esperança, a Pátria que os pariu.